quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Histórias de arrepiar e de rir

Espetáculo “Se essa rua fosse minha”, da Escola Municipal de Teatro, resgata lendas de terror da Londrina dos anos 70

            Conta-se que, há muito tempo, uma menina odiada pela madrasta foi morta e enterrada por ela ao pé de uma árvore num gramado de Londrina. Desde então, quem passava por ali ouvia a voz infantil cantarolando o lullaby: “nessa rua, nessa rua tem um bosque / Que se chama, que se chama solidão / Dentro dele, dentro dele mora um anjo / Que roubou, que roubou meu coração”. Mas apenas um menino conseguia ver o fantasma. Esta e outras lendas urbanas, já quase esquecidas nos dias de hoje, compõem o espetáculo “Se essa rua fosse minha”, em cartaz no Circo Funcart a partir deste sábado e domingo, 1 e 2 de novembro, às 21 horas. A temporada prossegue nos dias 7, 8 e 9, no mesmo horário. Os ingressos, a R$ 20 e R$ 10 (meia), já podem ser adquiridos na Funcart. Informações pelo telefone (43) 3342-2362.

Foto: Carol Ribeiro
            A montagem da Escola Municipal de Teatro mergulha no universo mítico da Londrina da década de 1970, quando estes causos horripilantes andavam de boca em boca e provocavam medo não só em quem morava por aqui, mas também nos migrantes que passavam pela cidade. “Eu lembro que minha família chegou aqui nesta época e a gente ouvia as lendas. Viemos de Maracaí (SP), uma cidade completamente católica, e Londrina já era conhecida como um lugar que tinha muitos crentes e pessoas de outras religiões”, lembra Silvio Ribeiro, coordenador da EMT e dramaturgo da peça.

            “Se essa rua fosse minha” foi concebido com base em suas recordações de juventude, mas também em pesquisas sobre a religiosidade e os causos londrinenses. Os personagens habitam um bairro imaginário. Dentre eles, uma benzedeira, duas irmãs evangélicas, uma zeladora de capela que decora os andores e prepara a missa – homenagem à avó de Silvio, que contava as histórias de terror como ninguém. O personagem do menino que vê o fantasma da criança enterrada ao pé da árvore personifica o próprio dramaturgo, quando criança.

            Mas as narrativas fantásticas não causam só medo. Lidas através das gerações, os causos aparecem no espetáculo com um tom de humor. Assim é, por exemplo, a antiga lenda da grávida que tem desejo por fígado; seu marido rouba um pedaço do órgão de um defunto e o morto volta para assombrar a família. Ou a história da mulher que vai buscar conselhos em uma benzedeira e acaba tomada pela Pomba Gira.

Foto: Carol Ribeiro
            Carol Ribeiro assina a direção do espetáculo, que fecha os dois anos de formação de 12 alunos da Escola Municipal de Teatro, com idades entre 14 e 60 anos. Segundo ela, trabalhar com um grupo tão eclético é um desafio que rende resultados satisfatórios. “Percebemos que muitas dessas histórias se perderam num mundo de tanta informação e tecnologia, mas é impressionante como os atores, quando motivados, passam a se interessar pelo universo da oralidade. O espetáculo traz uma formação humanística, faz com que eles tenham outra visão sobre a cidade e o tempo passado”, destaca.

            Sob a coordenação do dramaturgo e da diretora, o grupo trabalhou por quase oito meses em pesquisas documentais, exercícios em sala e ensaios – processo que contribuiu tanto para a construção do texto quanto para a encenação.  Um bom exemplo é o figurino, também assinado por Carol. Ele nasceu de uma investigação em álbuns de família da década de 1970. “As cores, formas e tecidos não foram baseados em conceitos clássicos da moda da época, mas no próprio cotidiano das pessoas retratadas nos álbuns”, explica a diretora.

Renato Forin Jr. (assessoria de imprensa Funcart)

Serviço:
Se essa rua fosse minha
Escola Municipal de Teatro/Funcart
Dias 1,2, 7, 8 e 9 de novembro
Às 21 horas
No Circo Funcart (Rua Senador Souza naves, 2380)
Ingressos: R$ 20 e R$10 (meia-entrada)
Informações: (43) 3342-2362
Classificação indicativa: Livre

Ficha Técnica:
Texto: Silvio Ribeiro
Direção: Ana Carolina Ribeiro
Direção de Produção: Fernanda Fernandes
Figurino: Ana Carolina Ribeiro
Equipe Técnica: Roberto Rosa e Romildo Ramalho
Assessoria de Imprensa: Renato Forin Jr.

Elenco (alunos formandos da EMT/Funcart – Vespertino 2014): Ana Lopes, Cezar Scalli, Debbie Lee, Iolanda de Melo, Jefferson Maciel, João Mosso, Luana Toyoshi, Marina Madi, Maurício Vieira, Nelson Moraes, Otávio Pelisson e Veridiana Pinheiro

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quando a arte transforma e emociona

Na última sexta-feira (24), a Funcart recebeu uma visita especial. Um grupo de funcionários e pessoas atendidas pelo Capes 3 (Centro de Atendimento Psicológico e Social) de Londrina passou uma tarde inteira na Fundação. Eles conheceram as instalações, como o circo-teatro Funcart, as salas de aula, a biblioteca e o setor administrativo; bateram um papo inteligente com professores e funcionários, e assistiram a apresentações de dança e teatro. Para a maioria dos visitantes, foi o primeiro contato com o universo das artes cênicas - e eles não esconderam a emoção diante deste universo tão diferente e fascinante.

Grupo da Capes conheceu um pouco do trabalho artístico desenvolvido pela Funcart

         “É um momento muito importante, pois eles saem de uma realidade em que nem sempre têm acesso à cultura. A gente percebe o quanto a arte mexe com eles e contribui para o tratamento. Neste processo, torna-se muito importante sentir novas emoções e conhecer outras realidades”, destacou o assistente social da Funcart Edvaldo Paulino da Silva, que guiou a visita.

         Além de um solo de balé clássico apresentado pela bailarina Priscila Santana, o grupo também assistiu a um espetáculo de teatro sobre adolescentes em conflito com a lei. A peça tem direção de Silvio Ribeiro e faz parte do projeto “Teatro e Assistência Social”, que propõe uma série de encenações com temas ligados à cidadania e à educação.

Grupos de escolas ou outras instituições que desejarem conhecer um pouco mais do trabalho da Fundação Cultura Artística de Londrina podem agendar visitas pelo telefone (43) 3342-2362.


Renato Forin Jr. (assessoria de imprensa)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A novidade da Banda Antiqua

Grupo musical londrinense estreia oficialmente no Bar Valentino dentro do projeto Banda Nova Funcart

         Ao contrário do que o nome em latim parece suscitar, a Banda Antiqua é uma novidade na cena musical de Londrina. O quarteto formado por alunos do curso de Música da UEL, com forte influência do rock dos anos 70 aos 90, apresenta pela primeira vez ao público um show completo. Eles debutam dentro da programação do projeto Banda Nova Funcart nesta quinta-feira (23), às 22 horas, no Bar Valentino (Rua Prefeito Faria Lima, 486), com couvert a R$ 7.

         “O nome tem o objetivo de ser atemporal e ‘poliglota’, já que a banda canta tanto em português quanto em inglês”, explica o vocalista e guitarrista Deley Jones. Há seis meses, ele fundou com Mariana Franco (baixo) um dueto acústico, que não tardou crescer. Estudantes do primeiro ano de música da Universidade Estadual de Londrina, eles convidaram dois outros amigos do curso - Heloisa Trida ( vocal, piano, percussão) e André Magiabelo (bateria) - a integrarem o projeto. Com esta formação, que possui apenas dois meses, a Banda Antiqua estreia no Bar Valentino.
Os quatro integrantes da Banda Antiqua cursam Música na UEL - Foto: Thaís Vicente
         “A música é o nosso objetivo, o nosso meio de vida. Temos um estúdio próprio e ensaiamos com regularidade, toda semana. Por isso, neste curto período, já conseguimos um repertório com vinte músicas”, pontua Jones. No show, a banda passa pelo rock dos Beatles, Mutantes e Ramones, pela black music de Tim Maia e Amy Winehouse, pelo power pop/indie rock de bandas como Mando Diao, dentre outros. O diferencial é a releitura de clássicos e a fusão de estilos na execução de uma mesma faixa.

         Além dos covers, a Banda Antiqua também se dedica a composições autorais. Deley Jones assina três canções inéditas, que estarão no show da quinta: “Beautiful”, “Nobody cares/Save myself” e “In the place there's no regret”. Um clipe desta última está sendo preparado e será lançado até o início de 2015. Outro projeto do grupo é gravar um EP com as autorais.

         O projeto - A Banda Antiqua é a segunda atração da programação 2014 do projeto Banda Nova Funcart, que, no mês passado, contou com a participação do conjunto londrinense Honey Bee, também no Valentino. Idealizado por Silvio Ribeiro, o Banda Nova revela ao público, desde 2009, artistas da cena musical londrinense com trabalhos de qualidade e que estão começando carreira.

O projeto da Funcart prevê para este ano uma terceira e última apresentação no mês de novembro. Será um coro cênico em homenagem aos cancionistas brasileiros com mais de quinze integrantes e com direção do próprio Silvio Ribeiro.

Renato Forin Jr. (assessoria de imprensa) 

Serviço:
Banda Antiqua
Projeto Banda Nova Funcart
Dia 23/out (quinta-feira)
Às 22 horas
No Bar Valentino
(Rua Prefeito Faria Lima, 486)
Couvert: R$ 7

Informações: (43) 3342-2362

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Quarta Tosca mata a saudade de Londrina

Projeto de comédia da Funcart, fora de cena há três anos, volta a divertir o público londrinense com duas apresentações neste fim de semana

O elenco da Quarta Tosca tirou os figurinos da naftalina e, para a alegria dos fãs, resolveu se reunir para relembrar as noites de gargalhadas do passado. O projeto manteve-se em cartaz durante cinco anos, de 2006 a 2011, com apresentações mensais em teatros e bares da cidade. Voltam agora em curtíssima temporada neste sábado (18) e domingo (19), às 20 horas, no Circo Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380), com ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada ou antecipado, na Funcart). Informações pelo telefone (43)3342-2362.

O nome desta edição não poderia ser mais sugestivo: “Quarta Tosca em: Chega de Saudade”. De acordo com Carol Ribeiro, atriz e coordenadora do projeto, o       revival foi uma criação coletiva dos integrantes do último elenco. “Nós relembramos os personagens e os quadros que fizeram mais sucesso ao longo da nossa trajetória e reunimos no espetáculo. Mesmo assim, a apresentação é sempre nova, porque atualizamos os temas, falamos dos acontecimentos recentes e interagimos com a plateia”, explica.

Quarta Tosca em Chega de Saudade - foto Fábio Alcover
As figuras engraçadas são as velhas conhecidas do público, mas elas passeiam por temas como as estranhezas dos presidenciáveis no segundo turno das eleições e novidades bizarras da cena artística de Londrina. O show, no entanto, não é no formato stand-up, mas um espetáculo de cenas curtas e gags em transição dinâmica. Os personagens são vividos pelos atores Adalberto Pereira, André Demarchi, Bárbara Blanco, Carol Ribeiro, Felipe Ferreira, Gio Albuquerque e Thunay Tartari.

Essa é a chance de rever a psiquiatra Dravidiana, fumante compulsiva, portadora de todos os distúrbios mentais observados nos pacientes de que trata, usuária contumaz de remédios controlados e bem pouco adepta ao sigilo profissional. O exagero, o figurino exuberante e a atitude de diva das drag queens são sintetizadas em Andrea Boquetão, enquanto Xandra, a artesã ecologicamente correta, continua seu trabalho exclusivo com garrafas pet, aperfeiçoado por três anos de pós-graduação em Pedagogia.

Já o nerd Edu ainda está na faculdade de Ciências Sociais e continua grudado nas tecnologias dos tablets e smartphones. A paraguaia Kátia Cristina também retorna aos palcos com sua mala de quinquilharias estapafúrdias à venda, mas sem sua galinha Bibiana, cooptada pela produção da “Galinha Pintadinha”.

“Quarta Tosca em: Chega de Saudade” foi montado especialmente para as comemorações de 35 anos do Bar Valentino e integrou a programação do Festival de Dança de Londrina na quarta-feira passada, dia 8. A minitemporada no Circo Funcart é a última oportunidade de conferir a remontagem.


Renato Forin Jr. (assessoria de imprensa Funcart)

SERVIÇO:
Quarta Tosca em: Chega de Saudade
Os Toscos
Dias 18 e 19 de outubro (sábado e domingo)
No Circo Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380)
Às 20 horas
Classificação etária: 16 anos
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada ou antecipado na Funcart)

Ficha Técnica:
Direção: o grupo

Elenco: Adalberto Pereira, André Demarchi, Bárbara Blanco, Carol Ribeiro, Felipe Ferreira, Gio Albuquerque e Thunay Tartari

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A tosquice está de volta (e com roupa de festa)

Como parte da programação do Festival de Dança de Londrina, a Quarta Tosca mata as saudades do público no aniversário do Bar Valentino  

Após três anos de espera ansiosa dos fãs, as personagens do tradicional espetáculo de humor “Quarta Tosca” retornam à cena, em uma apresentação mais que especial. O elenco, que ficou em cartaz por cinco anos seguidos, de 2006 a 2011, reúne seus integrantes em celebração ao aniversário de 35 anos de um dos principais espaços de apoio às artes e à cultura na cidade, o Bar Valentino. Os Toscos invadem o bar nesta quarta-feira (8), às 22h30, dentro da programação do Festival de Dança de Londrina.

                Não por acaso, o subtítulo do espetáculo do grupo é “Chega de Saudade”. Essa é a chance de rever a psiquiatra Dravidiana (Thunay Tartari), fumante compulsiva, portadora de todos os distúrbios mentais observados nos pacientes de que trata, usuária contumaz de remédios controlados e bem pouco adepta ao sigilo profissional. O exagero, o figurino exuberante e a atitude de diva das drag queens são sintetizadas em Andrea Boquetão (André Demarchi), enquanto Xandra (Adalberto Pereira), a artesã ecologicamente correta, continua seu trabalho exclusivo com garrafas pet. A paraguaia Kátia Cristina (Carol Ribeiro) também retorna aos palcos com sua mala de quinquilharias estapafúrdias à venda, porém sua galinha, a agora internacional Bibiana (Guilherme Kirchheim), entra em cena apenas por videoconferência.  A encenação à distância é para permitir a participação de Guilherme Kirchheim, um dos atores mais emblemáticos da comédia, atualmente radicado em Pontedera, Itália, no Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards.

Quarta Tosca - foto de Divulgação
                      Bar Valentino - O revival da Quarta Tosca é parte da série de eventos comemorativos do aniversário do Bar Valentino, que apoia e sedia uma parcela significativa da programação cultural de Londrina nas áreas de teatro, música, artes plásticas, design, moda, poesia e artes cênicas em geral. Há inclusive esquetes e happenings que foram concebidos especialmente para encenação no lugar. O que começou como um favor pessoal do dono do bar aos amigos artistas – participantes de espetáculos e festivais precisavam de um horário especial de alimentação – ganhou fôlego e transformou-se em uma parceria de mão dupla. Ganham os produtores e artistas locais. Ganha o negócio.

                      “O estabelecimento começa a ser olhado como uma empresa cidadã, aquela que ajuda a colocar em pé projetos importantes para cidade. Em termos de marketing, é interessante ver sua empresa associada a um evento que todos admiram”, destaca Valdomiro Chammé, proprietário do Bar Valentino. Ele chama a atenção para o fato de o empresariado local temer o apoio a projetos culturais por receio disso gerar compromissos fiscais, no entanto, a legislação protege os financiadores de possíveis encargos. “Principalmente em cidades do interior, o apoio é incipiente em comparação ao potencial artístico. É preciso investir em mecanismos de esclarecimento ao empresário”, acredita Chammé.

                      A festa de encerramento do Festival de Dança de Londrina também ocorre no Bar Valetino. A banda Sarará Criolo se apresenta no local no sábado (11), a partir das 22h30. A programação do festival pode ser conferida no site www.festivaldedancadelondrina.art.br 

Renato Forin Jr. (assessoria de imprensa do Festival de Dança de Londrina)

SERVIÇO:
Quarta Tosca em: Chega de Saudade
Os Toscos
(Londrina-PR)
Dia: 8 de outubro (quarta-feira)
Local: Bar Valentino
Horário: 22h30
Classificação etária: 18 anos
Couvert: R$12

Ficha Técnica:
Direção: o grupo

Elenco: Adalberto Pereira, André Demarchi, Bárbara Blanco, Carol Ribeiro, Felipe Ferreira, Gio Albuquerque e Thunay Tartari

Dança em rubros pés: conexão Índia-Paraná

Espetáculo inspirado em dança clássica indiana usa tecnologia para aproximar o espectador ocidental da mitologia e códigos hindus

“Já temos uma relação com Londrina antes mesmo de chegar à cidade. Pintamos os pés de vermelho para dançar”, entusiasma-se Andrea Albergaria, diretora do espetáculo 3D-Tridevi, atração desta quarta-feira (8), no Festival de Dança de Londrina, às 20 horas, no Circo Funcart. Para traduzir parte da complexa mitologia hindu e dos modelos da coreografia clássica indiana, repleta de significados por trás de cada gesto, a montagem investe na projeção de imagens, de modo a tornar mais compreensível o sentido dos movimentos para o público ocidental. “Muitos gestos são codificados e nem sempre temos os códigos. As novas tecnologias ajudam exatamente nessa ponte”, explica Albergaria.

“3D-Tridevi” estreou no início deste ano em Nova Delhi, o que exigiu muita confiança e boa dose de ousadia. Afinal, tratava-se de uma companhia brasileira, do interior paulista, a apresentar um espetáculo de dança indiana clássica em plena capital do país, sob os olhos do povo que milenarmente encena os movimentos sinuosos e as formas geométricas requeridas pelos passos. “Sou ocidental, trago toda uma bagagem própria, diferente da experiência de um hindu, mas foi muito emocionante para mim e para eles. O que contou mesmo foi o entendimento da arte como linguagem universal. Eles se surpreenderam com o resultado”, descreve a diretora.
3D-TRIDEVI - foto de Yaakov Ossietinsky
Com uma bagagem de 20 anos de estudos sobre a Índia e suas danças, Andrea envereda pelo universo do Odissi, estilo ritualístico baseado nas energias masculina e feminina, chowka e tribhanga, respectivamente. No Odissi, todo trejeito, do movimento dos olhos à expressão facial, tem uma intenção particular e o desafio é estabelecer o diálogo entre os moldes ancestrais de expressão e o universo contemporâneo dos intérpretes. A companhia atibaiana encontrou seus caminhos na fusão entre teatro, dança, poesia e imagem, propondo um passeio entre espaços sagrados e profanos. O espetáculo é baseado em textos da poetisa carioca Cecília Meireles e de Kalidasa, poeta e dramaturgo sânscrito do século IV ou V (não se sabe ao certo), alçado ao panteão dos autores da mitologia hindu. A coreografia é encenada ao som do repertório musical tradicional indiano.

O elenco composto por Andrea Albergaria, Carmen Fournier e Lucia Minozzo – em uma parceria que já dura 14 anos – tem no currículo apresentações em diversos países além da Índia, como França e Angola. O trio acredita que o espetáculo em geral e cada dançarina é particular é como um par de óculos 3D mencionados no título: uma porta de acesso a outras dimensões e experiências estéticas, como se a tradição se revelasse em novas cores e ângulos ao público do aqui e agora.

Serviço:
3D - Tridevi
Odissi Dans (Bra)
(Atibaia – SP)
Dia: 8 de outubro (quarta-feira)
Horário: 20 horas
Local: Circo Funcart
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: Livre
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)

Ficha Técnica:
Direção e criação: Andrea Albergaria 
Elenco: Andrea Albergaria, Carmen Fournier e Lucia Minozzo.
Coreografia: Andrea Albergaria, Guru Kelucharan Mohapatra, Gangadhar Pradhan e Mayadhar Raut.
Imagens: Ya Kov
Desenho de Luz: Andrea Albergaria
Textos inspirados em obra de Cecília Meireles e Kalidasa.
Adaptação livre e narração: Andrea Albergaria
Figurino: Shoban Lal

Música: repertório musical tradicional de Orissa, Índia.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O palco como destino dos excessos

Companhia carioca aposta em personagens desviantes como fontes de riso e reflexão

Quem não cultiva alguma excentricidade, por menor que seja, normal não pode ser. E se a extravagância for de nível médio ou avançado, cuidado, você pode se reconhecer nos personagens de “Inaptos? A que se destinam”. Manias, perversões, estranhezas e vícios compõem o tema da montagem, que explora da compulsão por cirurgias plásticas à obsessão por plástico-bolha, passando pela fixação em games, religiões e substâncias químicas. A apresentação faz parte da programação do Festival de Dança de Londrina 2014, com exibição nesta terça-feira, dia 7, às 20 horas, na Usina Cultural. A entrada é gratuita.

Foto Celso Pereira
O espetáculo do Teatro de Anônimo, do Rio de Janeiro, mistura teatro e dança, com um quê circense, tratando com ironia o excesso. Sem julgamentos morais – ou pelo menos rejeitando a obviedade das opiniões prontas – os palhaços João Carlos Artigos (Seu Flor), Fábio Freitas (Prego) e Shirley Britto (Buscapé) retratam o universo de personagens capazes de levar as manias às raias da loucura, comprovando que, em demasia, quase tudo cabe no limite entre sanidade e distúrbio, ou entre a necessidade de tratamento e o riso.

A encenação foi inicialmente inspirada no livro “Os Vícios não são crime”, do escritor estadunidense Lysander Spooner, mas depois ganhou outras referências, inclusive cinematográficas, como a obra de Felini e de Jos Stelling, diretor do filme holandês “O Ilusionista”, assistido várias vezes pelo grupo. Isso sem contar influências mais populares e afetivas, como os títulos de O Gordo e O Magro. “A comicidade tem isso, é um campo que a gente acaba acessando muitos materiais”, explica a diretora do espetáculo Adriana Schneider.

Desde os anos 1990, o elenco do Teatro de Anônimos tem estreita relação com a palhaçaria, participando de cursos e retiros específicos sobre o tema. Para “Inaptos? A que se destinam”, os performers se prepararam em um laboratório específico de uma semana com Ricardo Puccetti, parceiro de longa data do grupo e um dos mais importantes nomes da palhaçaria no Brasil.

Foto Celso Pereira
O Bufão, Charlatão e outras figuras tradicionais dão o tom parodista ao espetáculo, que flerta com a crítica social e política. A diretora do espetáculo ressalta que, ao contrário da maioria das apresentações de palhaçaria, inspiradas em números breves e apenas de caráter circense, “Inaptos? A que se destina” lida com a articulação dos personagens em um formato dramatúrgico propriamente dito, como um espetáculo em si. Encenada desde 2012, a montagem já passou pelo processo de amadurecimento só adquirido na relação com o público e promete ao espectador de Londrina a união feliz entre riso, reflexão e fruição estética. A vinda do espetáculo à cidade é uma parceria entre o Festival de Dança e o Sesc Londrina. 

Renato Forin Jr. (assessoria de imprensa)

SERVIÇO
Inaptos? A que se destinam
Teatro de Anônimo
(Rio de Janeiro - RJ)
Dia: 7 de outubro (terça-feira)
Horário: 20 horas
Local: Usina Cultural
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
GRATUITO

Ficha técnica:
Palhaços: Fábio Freitas, João Carlos Artigos e Shirley Britto
Direção e dramaturgia: Adriana Schneider / Teatro de Anônimo
Criação e material dramatúrgico: Adriana Schneider, Fábio Freitas, João Carlos Artigos e Shirley Britto
Assessoria técnica em palhaçaria: Ricardo Puccetti
Assessoria técnica em mágica: Mágico Rossini
Figurino: Patrícia Muniz
Consultoria em cenografia: Christiane Caetano e Dodô Giovanetti
Adereços:  Mario Campioli e Jorge Krugler
Técnicos: Dodô Giovanetti e Antonio
Direção musical: Ricardo Cotrim
Programação visual: Caco Chagas
Direção de produção: Flávia Berton e João Carlos Artigos
Realização: Teatro de Anônimo

Parceria: SESC – Palco Giratório

No ritmo das horas, a dança do tempo

Festival de Dança de Londrina apresenta espetáculo maringaense sobre um dos maiores norteadores da experiência humana. Coreografia é assinada por bailarino do Ballet de Londrina. Festival tem patrocínio do PROMIC

Todos os dias, o homem deve escolher como gastar os 86.400 segundos disponíveis nas próximas 24 horas. Precisa também carregar sobre ombros o saldo dos anos anteriores e estimar o período necessário aos planos futuros. Dos calendários dependem a experiência e o porvir. Olhando atentamente, talvez não haja no mundo algo que comporte mais significados que a palavra tempo. É o que discute o Ballet Nara Dutra-Companhia Erastos, de Maringá, no espetáculo “Quanto Tempo o Tempo Tem?, na programação do Festival de Dança de Londrina 2014, nesta terça, dia 7, às 20 horas no Circo Funcart.

Foto Isa Dantas
No palco, alternam-se quatro coreografias, estruturadas em dois eixos principais. No primeiro, são tratados aspectos relacionados à circularidade, à repetição e ao caráter infinito do tempo. No segundo, o tema é abordado sob a perspectiva dos ciclos vitais, com ênfase nos processos de gestação, nascimento e primeira infância. Em grande parte, “Quanto Tempo o Tempo Tem?” foi inspirado nos meses iniciais de vida do primeiro filho do coreógrafo, Cláudio de Souza.
Na montagem, o espectador vai ouvir sons característicos do útero materno e o ritmo cardíaco do bebê que inspirou o espetáculo. Início e fim, no entanto, não são equivalentes de fato na apresentação. O fluxo corriqueiro da vida humana é renegado e a morte, fim inevitável de todo tempo individualmente disponível, é tratada não como ponto final, mas como possibilidade de transformação e renascimento. “Eu quase segui pelo caminho do fim, mas preferi um desvio para retratar o renascer, via casulo”, explica Cláudio. Em boa medida, uma metáfora sobre como as horas de cada homem se perpetuam no período de vida de seus descendentes.

Foto Isa Dantas
 As possibilidades de bom aproveitamento do tempo também são parte da montagem, que envereda pela retratação ora tediosa e hedonista da rotina. O quinteto repetição-pausa-silêncio-escuridão-luz pontua boa parte do espetáculo, instigando o público a compreender o tempo sob múltiplas perspectivas sensoriais. A direção da montagem é de Nara Dutra.  

Quanto tempo o tempo tem?
Ballet Nara Dutra/Cia Erastos
(Maringá)
Dia: 7 de outubro (terça-feira)
Horário: 20 horas
Local: Circo Funcart (Av. Souza Naves, 2380)
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: Livre
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)

Ficha técnica:
Direção: Nara Dutra
Coreografia: Cláudio de Souza
Elenco: Ana Maria Ceolin, Amanda Baretta, Evelin Coelho, Fernanda Theodoro, Isadora Prado, Loraine Dutra e Marcely Bressan

Iluminação e operação: Samara Azevedo

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Oficinas do Festival de Dança de Londrina começam nesta segunda

Do clássico ao contemporâneo. Professores renomados em todo o país ministram atividades formativas na Escola Municipal de Dança e na Usina Cultural

Ao longo da semana, o Festival de Dança de Londrina oferece a profissionais e interessados em geral oito oficinas de formação cênica, que contemplam desde estilos tradicionais a modalidades de dança contemporânea. Ao contrário de outros eventos nacionais que dão ênfase quase exclusiva ao caráter artístico da programação ou à competitividade das mostras, o Festival de Dança de Londrina investe nas atividades didáticas como um de seus eixos principais de atenção. O objetivo é de promover o intercâmbio, a preços acessíveis, entre interessados locais e nomes consagrados do cenário nacional. Alguns professores vêm a Londrina unicamente para a programação formativa, de maneira a tornar a cidade um celeiro para novos talentos da dança.  
Nesta segunda-feira (6), começam os cursos de “Balé Clássico”, “Jazz” e “Danças Brasileiras”. Também integram a programação as oficinas de “Criação do Gesto”, “Dramaturgia na Dança”, “MAE (Mandala de Energia Corporal)”, “Dança Indiana” e “Dança Flamenca”. As aulas da programação didática prosseguem até o dia 10 de outubro, próxima sexta-feira.

Programação
Para quem já tem experiência intermediária ou avançada nas artes da sapatilha, essa é chance de conhecer e se aperfeiçoar com um dos maiores e mais respeitados nomes da dança clássica brasileira, Toshie Kobayashi, de São Paulo. Nas oito horas da oficina “Balé Clássico”, ela detalha técnicas sofisticadas de pontas, além de abordar tópicos que abrangem do demi-plié ao grand-battement. O alinhamento, o deslocamento cênico e a musicalidade também são contemplados. De 6 a 10 de outubro, das 14 às 15h30. Vagas já esgotadas.

Oficina BALE CLASSICO - com Toshie Kobayashi - foto de Reginaldo Azevedo
            “Jazz”,com Jhean Allex, de São Paulo, explora a diversidade e as novas tendências do estilo, com ênfase no trabalho de alongamento, força e flexibilidade. São aplicados também exercícios de solo, ritmo e coordenação. Professor e bailarino, Allex tem passagens por companhias de peso em âmbito nacional, como a Raça e o Balé Castro Alves. De 6 a 10 de outubro, das 15h30 às 17 horas.

Oficina JAZZ - com Jhean Allex - foto de Gabriela Ângelo
            Marina Abib, de São Paulo, integrante da Cia. Soma, ministra a oficina “Danças Brasileiras”. Passeando com desembaraço entre manifestações populares e tradicionais, Abib apresenta, discute e exercita as chamadas “brincadeiras dançadas”, que fazem parte do imaginário nacional. Os participantes da oficina experimentam ritmos e passos já consolidados para, a partir daí, construir sua própria leitura do conjunto. A ideia é seguir um viés contemporâneo de tratamento de conteúdos coreográficos tradicionais. Dias 6 e 7 de outubro, das 15 às 19 horas. 
De Minas Gerais vem a convidada Suely Machado para comandar a oficina “Criação do Gesto”. Diretora do prestigiado grupo mineiro Primeiro Ato, ela discute com os participantes perspectivas da dança contemporânea, sensibilizando-os para a consciência corporal e a capacidade de escuta. São encenados jogos e exercícios que estimulam o ritmo, a concentração e participação do indivíduo no espaço coletivo da dança. Dias 7 e 8 de outubro, das 14 às 18 horas.
            Valéria Cano Bravi, também de São Paulo, é a responsável pela oficina “Dramaturgia na Dança”, que aborda a fisicalidade sob as perspectivas história e antropológica do corpo. Optando por laboratórios práticos, Bravi explora a relação espaço-corpo-tempo pela ótima dramatúrgica. Entre as reflexões em destaque na atividade estão os embates entre tradição e contemporaneidade, a articulação entre o pensar e o fazer das danças como sistemas de significação mitopoética, a diversidade das corporeidades no Brasil, a estética do corpo, autoria e composição coreográfica. De 8 a 10 de outubro, das 16h às 18h50.
            A oficina “MAE – Mandala de Energia Corporal” está cargo de uma das mais interessantes performers do cenário contemporâneo, Maura Baiocchi, de São Paulo. Ela apresenta aos participantes noções iniciais do MAE, prática bussolar no taanteatro, como é conhecido o teatro coreográfico de tensões. A técnica se destina ao aperfeiçoamento do potencial comunicativo corpóreo do dançarino, sendo aplicada na criação e análise da encenação. O MAE também articula tensões entre corpo, sujeitos ou objetos ao redor e o universo sócio-político-cultural do qual fazem parte artista e público. Dias 9 e 10 de outubro, das 15 às 19 horas.
 “Dança Indiana” é a oficina sob o comando de Andrea Albergaria, de São Paulo. Ela ensina aos inscritos passos de uma das danças mais antigas do mundo, o Odissi. Baseado na geometria corporal e espacial, o estilo propõe a interligação entre movimento e vocalização, por meio do uso sílabas e versos hindus clássicos. A primeira parte das atividades é voltada às saudações e uma introdução histórica ao contexto indiano, além de exercícios de aquecimento e percepção dos círculos, quadrados e triângulos corporais. Na segunda parte, haverá exibição de um documentário sobre a dança Odissi e a discussão a respeito da evolução técnica dos passos ao longo do tempo. A oficina é voltada a qualquer participante acima de 14 anos, mesmo sem experiência prévia. Dias 8 e 9 de outubro, das 13h30 às 15 horas.
O paranaense Michel Cássin ministra a oficina “Dança Flamenca” tanto para quem já tem alguma familiaridade com o estilo quanto para interessados em geral. Os passos básicos, técnicas de sapateado, modulações rítmicas e a formas de movimentação de mãos e braços serão vistos por meio de exercícios práticos, acompanhados de uma discussão teórica que interliga os detalhes coreográficos às regiões espanholas onde os trejeitos surgiram. Destaque para as sevilhanas, dança típica da antiga Andaluzia, e para as alegrías, ritmo de Cádiz. A oficina, iniciada neste domingo, prossegue nos dias 6 e 7, das 18h30 às 20 horas.

Valores e locais
O investimento em cada oficina é de R$ 30. Há pacotes promocionais para alunos que cursarem mais de uma atividade: R$ 50 para duas oficinas e R$ 60 para três oficinas. Apenas o curso de Balé Clássico não faz parte da promoção e tem valor único de R$ 50. Quem quiser apenas assistir a uma oficina, sem fazer parte dos exercícios, pode se inscrever na categoria de ouvinte, com investimento de R$ 10. O pagamento é efetuado no momento de entrega da ficha de inscrição. Vagas limitadas e definidas por ordem de chegada.

Todas as oficinas acontecem na Escola Municipal de Dança (Av. Souza Naves, 2380), exceto a MAE - Mandala de Energia Corporal, ofertada na Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159). Informações: (43) 3342-2362.

Festival traz panorama da dança londrinense

A mostra “Dança Londrina” reúne, nesta segunda-feira, trabalhos da cidade-sede do Festival 

Em uma só apresentação, um panorama diversificado da produção local. Assim é o “Dança Londrina”, tradicional noite do Festival de Dança reservada para apresentações de artistas independentes, grupos e academias da cidade. A mostra acontece nesta segunda-feira (6), às 20 horas, no Circo Funcart.

Foto Bruno Miranda
Os números - em geral coreografias curtas e com um tema determinado - mostram a variedade de estilos praticados por aqui. As modalidades vão do clássico à dança de salão e trazem um retrato das experiências coreográficas em curso e dos possíveis novos rumos da dança.
Com o “Dança Londrina”, o festival reafirma uma importante meta desde a sua criação: dar visibilidade à produção local e aproveitar a ocasião do evento para propiciar o intercâmbio de artistas com profissionais renomados em todo o país.

Foto Bruno Miranda
Este ano, participam do programa mais de dez coreografias escolhidas a partir de uma chamada prévia realizada pelo Festival. Dentre os representantes do balé clássico, estão solos de repertório da Escola Municipal de Dança e a variação masculina de Paysant, do Ballet Karina Rezende. Esta última escola apresenta ainda os números “You make me dance” e “Mimadinhas”.
Alexandro Micale, professor da Escola Municipal de Dança, traz duas coreografias: “Le Cabaret”, inspirado nos musicais da Broadway e no jazz dos anos 20, e “Favela”, trecho de espetáculo ainda inédito que parte da movimentação das danças brasileiras. Já a companhia jovem da Funcart, o Ballezinho de Londrina, estará presente, comemorando a sua milésima apresentação em 16 anos de trajetória. O grupo escolheu para a data especial fragmentos da peça “Babel”, espetáculo ainda em construção - uma reflexão sobre questões da vida cotidiana, tendo como inspiração a busca pela identidade.

Foto Bruno Miranda
Outra escola sempre presente na mostra local do Festival é a Entrepassos Cia, que este ano, em parceria com o NAFI-UEL, exibe uma coreografia com passos de tango e do zouk. Representando a cultura nipônica, uma das mais fortes formadoras da miscigenação londrinense, participa o Grupo Sansey, com o trabalho “Fukkatsu”, que utiliza música ao vivo com tambores.  Dentre os artistas independentes, estão no programa Alissar Ayoub e Patrícia Kostecki, no experimental “Por aquele caminho”, além de Augusto Bogo, com um número de dança de salão, e Marquinhos Flap, com uma coreografia de samba.
O “Dança Londrina” remonta à origem do Festival, que foi iniciado justamente como uma pequena mostra local e de estímulo, chamada “Tardes de Danças”. Com a iniciativa, o evento mantém inabalável a tarefa de acender luzes sobre o palco da produção londrinense.      

Renato Forin Jr. (assessoria de imprensa) 

Serviço:
Dança Londrina
Grupos e artistas de Londrina
(Londrina - PR)

Dia: 6 de outubro (segunda)
Horário: 20h
Local: Circo Funcart
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: livre

Ingressos: R$ 10 e R$ 5

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Festival de Dança - Olhos para cima, as mulheres chegaram

“As Mulheres do Sol e o Balão”, da Cia Base (SP), abre hoje o Festival de Dança com uma apresentação nos céus de Londrina

Convenhamos, sempre há uma parcela de sonho e de arte nos sisudos projetos mecânicos que permitem ao homem voar. Desequilibrando a equação racional que impõe às máquinas o mero papel de veículo de transporte, “Mulheres do Sol e o Balão” reinventa fatos reais para lembrar que sair do chão foi, é e sempre será um modo de desafiar o destino, a natureza e a própria morte. O espetáculo da paulistana Cia Base abre oficialmente hoje (2/out) o 12º Festival de Dança de Londrina. A apresentação acontece às 17 horas no Aterro do Lago Igapó. Ou melhor, nos céus do Aterro.

Foto de Sergio Avante
A companhia leva ao local um imenso balão de gás e toda a coreografia se passa no alto, a 20 metros do chão. O espetáculo da Cia Base é inspirado nas aventuras da aeronauta Maria Aída, pioneira no voo de balões no Brasil, mas acrescentando à história personagens mágicos, de caráter mítico, capazes de transcender o tempo e conectar passado e presente.
Penduradas pelo um balão, as dançarinas usam tecidos e cordas elásticas para executar o balé vertical em pleno ar. Artes da beleza, do risco e do movimento, prova de que viver é mesmo um salto a céu aberto, tanto para quem dança quanto para quem assiste. 

Em caso de chuva, a apresentação será cancelada.
Maria Aída, 900 metros de ar - Poderia ser um conto fantástico, se a realidade não superasse o assombro da ficção. Em 1909, quando os primeiros aviões disputavam a hegemonia dos ares com os zepelins, uma espanhola de coração brasileiro realizou uma façanha temerária e ainda hoje inspiradora. A aeronauta Maria Aída embarcou em um balão de seda, cheio de costuras e remendos decorrentes de aterrissagens não muito seguras, suspenso aos céus pela queima de gravetos em uma chaminé.

O ponto de partida foi o Passeio Público de Curitiba e os espectadores, estupefatos, assistiram a aparelhagem alcançar uma altura de aproximadamente 900 metros. Pouco depois, o balão “Granada” perdeu altitude até enroscar-se na Catedral Metropolitana, deixando a ocupante dependurada nas cordas de sustentação.

Maria Aída foi aclamada pelo público do local e tornou-se a primeira mulher a aventurar-se em um balão no Brasil. A história, que poderia ser marcada pelo final trágico, ganhou ares de bravata, sonho e ousadia no imaginário popular, mais de um século depois ainda inspirando aventureiros intrépidos no sonho de desafiar a gravidade, a física e as leis não escritas do conformismo banal.

A Cia Base: pés fora do chão - A dança é vertical. O circo é aéreo. O teatro é experimental. Ao completar em 2014 sua primeira década de existência, a Cia Base coleciona prêmios que vão da dança ao cinema. Dedicado à pesquisa e integração interartes, o grupo expande as fronteiras entre tecnologia e balé, propondo a ocupação do espaço – chão, paredes, prédios, céu – para além dos limites do corpo.

Foto de Sergio Avante
Mesclando referências ao pensamento oriental às potencialidades da imponente arquitetura urbana do ocidente, a companhia já ultrapassou o impressionante número de 2 mil apresentações, atraindo um público estimado de 180 mil pessoas. Os espetáculos reúnem atores, dançarinos e cantores em situações de risco calculado, tornando as cidades brasileiras imensos palcos a céu aberto, ao converter o passante despreocupado em espectador atento.

O trabalho da Cia de Base foi reconhecido com os prêmios Funarte de Circo, Pró Cultura do Ministério da Cultura, Reinvenção da Dança e o de Documentário Crônicas da Cidade.

Além de “As Mulheres do Sol e o Balão”, na abertura do 12º Festival de Dança de Londrina, o grupo paulistano também realiza a pré-abertura do evento com uma performance especial de “Arranha Céu”, ao meio-dia de hoje, no alto do Edifício Julio Fuganti.

Serviço:
As Mulheres do Sol e o Balão
Abertura oficial do 12º Festival de Dança de Londrina
Cia Base
(São Paulo-SP)
Dia: 2 de outubro (quinta-feira)
Horário: 17 horas
Local: Aterro do Lago Igapó
Duração: 50 minutos
Classificação indicativa: Livre
GRATUITO
OBS: Em caso de chuva, a apresentação será cancelada.

Ficha técnica:
Concepção, texto e direção: Cristiano Cimino
Coreografias: Suzi Arruda
Assistente de coreografia: Bia Quaglio
Elenco: Suzi Arruda, Elaine Duarte, Bia Quaglio, Davi Freitas, Thais e Edgard  Benitez
Figurinos e trilha sonora: Cia Base
Técnico de segurança vertical: Sergio de Souza
Técnico de som: Baio Avante
Apoio: Sergio Avante
Realização: Cia Base


Serviço geral:
12º Festival de Dança de Londrina
Londrina 80 anos
De 2 a 11 de outubro
Espetáculos e atividades formativas
www.festivaldedancadelondrina.art.br
Informações: (43) 3342-2362